sexta-feira, 31 de julho de 2009

O TABERNÁCULO


A construção do tabernáculo, com uma descrição das coisas que encerrava, acha-se narrada em Êxodo, caps. 25,26, 27,36,37,38. O tabernáculo, onde se realizava o culto público, desde que os israelitas andaram pelo deserto até ao reinado de Salomão, era não só o templo de Deus, mas também o palácio do Rei invisível. Era a “Sua santa habitação”, o lugar em que Ele encontrava o Seu povo, tendo com os israelitas comunhão; era, pois, o “tabernáculo da congregação”, isto é, o templo do encontro de Deus com o homem. Tinha a forma de um retângulo, construído com tábuas de acácia. Eram as tábuas guarnecidas de ouro, e unidas por varas do mesmo metal, com a sua base de prata. Havia em volta ricos estofos e bordados custosos de várias cores (Ex 26.1 a 14). O lado oriental não era formado de tábuas, mas fechado por uma cortina de algodão, suspensa de varões de prata, que eram sustentados por cinco colunas, cobertas de ouro. O interior achava-se dividido em duas partes por um véu ou cortina bordada com figuras de querubins e outros ornamentos (Êx 26.36,37). A parte anterior, por onde se entrava, chamava-se o lugar santo (Hb 9.2); o fundo do tabernáculo, ocupando um espaço menor, era o Santo dos Santos, isto é, o Lugar Santíssimo. Aqui estava a arca da aliança ou do testemunho, que era um cofre de madeira de acácia, guarnecido de finíssimo ouro por dentro e por fora, com uma tampa de ouro, em cujas extremidades estavam colocados dois áureos querubins, com as asas estendidas. Por cima estava “o Glória”, símbolo da presença de Deus: ficava entre eles, e vinha até à cobertura da arca — “o propiciatório”. A arca continha as duas tábuas de pedra, o livro da Lei, uma urna com maná, e a vara de Arão (Êx 25.21; Dt 31.26; Hb 9.4). Na primeira parte do tabernáculo estava o altar de ouro do incenso (Ex 30.1 a 10); um candelabro de ouro maciço com sete braços (Ex 25.31 a 39), e uma mesa de madeira de acácia, chapeada de ouro, sobre a qual estavam os pães da proposição, e talvez o vinho (Êx 25.23 a 30).

Em volta do tabernáculo havia um espaço de cem côvados de comprimento por cinqüenta de largura, fechado por cortinas de linho fino, que se sustentavam em varões de prata, e iam de uma coluna à outra. Estas colunas eram em número de vinte, com bases de bronze, tendo três metros de altura. A entrada era pelo lado oriental, e estava defendida por uma cortina, em que havia figuras bordadas de jacinto, de púrpura, e de escarlate (Êx 27.9 a 19). Era neste pátio, sem cobertura, que se realizavam todos os serviços públicos da religião e eram oferecidos os sacrifícios. Perto do centro estava o altar de cobre, com cinco côvados de compri­mento por cinco de largura, tendo nos seus quatro cantos umas proeminências chamadas “chifres” (Êx 27.1 a 8; S111S.27). Os vários instrumentos deste altar eram de bronze, sendo de ouro os do altar do incenso (Ex 25.31 a 40; 27.3; 38.3). No átrio, entre o altar de bronze e o tabernáculo, havia uma grande bacia, tambem de bronze, onde os sacerdotes efetuavam as suas abluções antes dos atos do culto (Êx 30.17 a 21). Sobre o altar via-se continuamente vivo o lume, que ao principio aparecia miraculosamente, e que depois era conservado pelos sacerdotes (Lv 6.12; 9.24; 10.1). É provável que, antes de ser edificado o próprio tabernáculo, fosse usada por Moisés uma tenda menor, para ali se feita a adoração a Deus, fora do campo, que se chamava “a tenda da congregação” (Ex 33.7). Deve dizer-se que todos os materiais para o tabernáculo podiam ter sido obtidos na península do Sinai, pois era simples a sua construção. Mas, esta casa não podia ser edificada seguindo as idéias humanas. Devia ser edificada porque Deus tinha este desejo: “E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles” (Ex 25.8). Deus mesmo mostrou o modelo a Moisés quando este esteve com Ele durante quarenta dias no monte Sinai (Ex 24.18). É por essa razão que na descrição da construção lemos repetidamente que “fizeram tudo segundo o Senhor tinha ordenado” (Ex 39 e 40).

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