quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

A Infabilidade das Escrituras




C. H. Spurgeon

“Porque a boca do Senhor o disse” (Isaías 1:20)

O que Isaías disse, foi conseqüentemente dito por Jeová. Foi audivelmente a expressão vocal de um homem: mas na realidade foi a expressão do próprio Senhor. Os lábios que proferiram as palavras foram de Isaías, mas ainda assim é verdade que “A boca do Senhor o disse”. Toda a Escritura sendo inspirada pelo Espírito, é proferida pela boca do Senhor. Seja lá como este livro sagrado é tratado hoje em dia, ele não foi tratado de maneira negligente, nem desprezado, nem questionado pelo Senhor Jesus Cristo, nosso Mestre e nosso Senhor. E notável como Ele reverenciava a Palavra escrita. O Espírito de Deus estava pessoalmente sobre Ele, sem medida, e Ele podia expor de sua própria mente a revelação de Deus, e ainda assim Ele continuamente citava a lei e os profetas e os Salmos: e Ele sempre tratou os escritos sagrados com intensa reverência – um intenso contraste com o “pensamento moderno”. Eu estou certo, irmãos, nós não podemos estar errados em imitar o exemplo de nosso Senhor Jesus Cristo na nossa reverência por esta Escritura, que não pode ser quebrada. E eu digo que se Ele, o Ungido do Espírito e capaz de Ele mesmo falar como sendo a boca do próprio Deus, ainda citava as Escrituras sagradas e usava o livro sagrado em seus ensinos, quanto mais deveríamos nós - que não temos espírito de profecia sobre nós e não somos aptos a proferir novas revelações – voltarmo-nos para a lei e para o testemunho e dar valor a cada palavra que “A boca do Senhor disse”?

O valor semelhante ao mencionado pode ser visto nos apóstolos de nosso Senhor, pois eles trataram as Escrituras antigas como supremas em autoridade, e deram sustentação às suas passagens da Santa Lei. O mais elevado grau de respeito e honra é tributado ao Velho Testamento pelos escritores do Novo. Nós nunca encontraremos um apóstolo levantando uma questão sobre o grau de inspiração neste ou naquele livro. Nenhum discípulo de Cristo questiona a autoridade dos livros de Moisés ou dos profetas. Se você quiser queixar-se ou suspeitar, você não simpatizará com o ensino de Jesus ou de qualquer um de seus apóstolos. Os autores do Novo Testamento dobram-se reverentemente ante o Velho Testamento e recebem-no como palavras de Deus, sem questionar o que quer que seja. Você e eu pertencemos a uma escola que continuará a fazer o mesmo, deixando outros adotarem seja lá o comportamento que for. Quanto a nós e nossa casa, este livro inestimável continuará sendo o padrão de nossa fé e a base de nossa esperança enquanto vivermos. Outros podem escolher os deuses que bem entendem, e seguir as autoridades que preferirem, mas, quanto a nós, o glorioso Jeová é nosso Deus e nós cremos no que concerne a cada doutrina de toda a Bíblia que “a boca do Senhor o disse”.

Em segundo lugar “Porque a boca do Senhor o disse”. ESTE É O CHAMADO QUE DEUS FAZ PARA QUE VOCE ATENTE PARA A SUA PALAVRA.

Toda palavra que Deus nos deu neste livro requer nossa atenção, por causa da infinita majestade daquele que a proferiu. Eu vejo diante de mim um parlamento de reis e príncipes, sábios e senadores. Eu ouço um após outro dos dotados Crisóstomos emitirem eloqüentes palavras como os “boca douradas”.

Eles falam, e eles falam bem. De repente há um solene silêncio. Que quietude! Quem deve falar agora? Eles estão calados porque Deus o Senhor está para levantar Sua voz. Não está certo que eles fiquem assim? Não é Ele que diz “Calem-se diante de mim ó ilhas”? Que voz é como a Sua voz? “A voz do Senhor é poderosa; a voz do Senhor é cheia de majestade. A voz do Senhor quebra os cedros: sim, a voz do Senhor quebra os cedros do Líbano. A voz do Senhor abala o deserto; o Senhor abala o deserto de Kadesh.” Vede que não refuteis a Ele que fala. O meu ouvinte, não deixe que seja dito de você que você passou por esta vida, Deus falando-lhe em Seu livro, e você recusando ouvi-lO! Pouco importa se você ouve a mim ou não; mas importa um bocado se você ouve a Deus ou não.

Foi Ele quem fez você: nas Suas mãos está o seu fôlego de vida; e se Ele fala, eu imploro a você, abra o seu ouvido e não seja rebelde. Há uma majestade infinita em cada linha das Escrituras, mas especialmente naquela parte das Escrituras onde o Senhor Se revela a Si mesmo e Seu plano glorioso de Graça salvadora na pessoa de Seu querido filho Jesus Cristo. A cruz de Cristo tem uma grande demanda sobre você. Ouça o que Jesus prega da árvore. Ele diz “Inclinai vossos ouvidos e vinde a mim: ouvi, e vossas almas viverão”.

O clamor de Deus de ser ouvido também apóia-se sobre a condescendência que O levou a falar a nós. Foi algo tremendo ter Deus feito o mundo e nos convidar a contemplar a obra de Suas mãos. A criação é um livro de figuras para crianças. Mas para Deus falar na língua de homens mortais é ainda mais maravilhoso, se você parar para pensar nisto. Eu me admiro de ter Deus falado pelos profetas; mas eu me admiro ainda mais de ter Ele escrito a Sua Palavra impressa, em linguagem sem erros, a qual pode ser traduzida em todas as línguas, para que todos nós possamos ver e ler por nós mesmos o que Deus falou a nós; e o que Ele na verdade continua nos falando. Pois o que Ele uma vez falou, Ele ainda nos fala de maneira tão nova como se tivesse acabado de dizê-lo pela primeira vez. O glorioso Jeová, falarias Tu ao homem mortal? Pode haver alguém que negligencie escutar-Te? Se Tu és tão repleto de amor e bondade, que sais do céu para conversar com Tuas criaturas pecadoras, ninguém que seja mais bruto que o boi e o asno deixaria surdo o seu ouvido para Contigo! A Palavra de Deus então clama por sua atenção, por causa da sua majestade e condescendência: mas ainda mais além, ela deveria conquistar seu ouvido por sua intrínseca importância. “Porque a boca do Senhor o disse” - então não é coisa de somenos. Deus nunca fala coisas vás. Nenhuma linha de Seus escritos trata dos temas frívolos de um dia. Aquilo que será esquecido dentro de uma hora é para homens mortais e não para o Deus eterno. Quando o Senhor fala, seu discurso é divino, e Seus temas são dignos Daquele cuja habitação é o infinito e a eternidade. Deus não brinca com você, homem mortal: brincaria você com Ele? Você acaso O tratará como se Ele como um todo fosse um seu igual? Deus fala à sério com você: não ouviria você seriamente? Ele fala a você sobre grandes coisas, que têm a ver com sua alma e seu destino. “Não é uma coisa vã para o Velho Testamento e você, pois trata-se da sua palavras de Deus, sem vida”. A sua existência eterna, sua felicidade ou sua miséria, dependem daquilo que a boca do Senhor falou. No que concerne a realidades eternas Ele fala a você. Eu suplico a você, não seja tão tolo ao ponto de desviar seus ouvidos.

Não se comporte como se a Palavra de Deus não fosse nada para você. Não trate a Palavra do Senhor como algo secundário, algo que deve esperar a sua recreação e receber sua atenção quando não tiveres mais nada para fazer: ponha todo o resto de lado, mas busque ao seu Deus.

Dependa dela, se “A boca do Senhor o disse”, então há uma necessidade urgente e premente. Deus não quebra o silêncio para dizer aquilo que também poderia ter ficado não-dito. A Sua voz indica grande urgência. Hoje, se ouvirdes a Sua voz, ouça-a, pois Ele requer atenção imediata. Deus não fala sem ter razões abundantes para tal. E - ó meu leitor- se Ele fala a Sua palavra a você, eu te peço, acredite que deve haver uma causa espantosa para tal! Eu sei o que Satanás diz: ele te diz que tu podes te sair muito bem sem escutar a voz de Deus.

Eu sei o que teu coração carnal sussurra: ele diz “Ouça a voz dos negócios, e do prazer: mas não ouça a Deus”. Mas, mas se o Espírito Santo ensinar a tua razão a ser razoável, e colocar a tua mente em posição de verdadeira sabedoria, reconhecerás que a primeira coisa que deves fazer é honrar o teu Criador. Você pode ouvir as vozes de outros outra hora, porém teu ouvido deve ouvir a Deus em primeiro lugar, já que Ele é o primeiro, e aquilo que Ele fala deve ser de primeira importância. Sem demora apressa-te para obedecer os Seus mandamentos. Sem reservas responda ao Seu chamado, e diga “Fala Senhor, pois o teu servo escuta”. Quando estou sobre este púlpito para pregar o Evangelho, eu nunca sinto que eu posso calmamente convidá-los para atentarem para um assunto que é um entre muitos, e que possa muito bem ser deixado só estivessem as mentes de vocês já ocupadas. Não. Vocês podem estar mortos antes que eu fale a vocês de novo, e assim eu imploro por atenção imediatamente. Eu não tenho medo de estar tirando vocês de outros afazeres importantes ao pedir-lhes que escutem aquilo que a boca do Senhor falou, pois nenhum outro negócio tem em si tanta importância se comparado a este: este é o tema mestre dentre todos os temas. E a tua alma, tua própria alma, tua alma eterna que está em jogo, e é o teu Deus que te fala. Escutai-O, eu lhe imploro. Eu não estou pedindo um favor quando te peço que escute a voz do Senhor: é uma dívida para com teu Criador, que você deve pagar. Sim, e além disso é um bem para você mesmo. Mesmo de um ponto de vista egocêntrico, eu te admoesto a ouvir o que a boca do Senhor disse, pois na Sua palavra há salvação. Buscai diligentemente aquilo que o teu Criador, teu Salvador, teu melhor amigo, tem a te dizer. Não endureçais os vossos corações como na provocação”, mas, “inclinai vossos ouvidos e vinde a mim: escutai e vossa alma viverá”. “A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus.

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